Oi gente,
Fiquei enrolando para fazer esse post, mas acho legal compartilhar. Sexta estive no cabeleireiro e como sou uma devoradora de livros e revistas, aproveitei o tempo de espera para ler revistas.
Aí que peguei a NOVA desse mês, com a Ivete Sangalo na capa:

Foto da capa, tirada do site
A cantora é a capa e portanto, matéria principal da revista. Não sou fã da Ivete nem nada, mas admiro o lado sincero dela. Confesso que me assustei que a revista já estava mais fina esse mês (ok, havia tempo que eu não lia a Nova, mas quanto tempo faz que ficou tão fina?).
Outra coisa que me surpreendeu foi a entrevista com a cantora, muito bem resolvida quando se fala em beleza. Ivete tem quase 40 anos, um filho com um pouco mais de um aninho, casada, independente e leva toda uma equipe nas costas, principalmente na época de carnaval. Sempre foi conhecida por seu corpo bem definido e sua voz potente.
E mesmo assim ela se deu ao direito de engordar durante a gravidez e não se preocupar em perder os quilos adquiridos duas semanas após o parto. Achei isso tão legal porque mostra que ela é como nós, que queremos aproveitar o tempo livre para ficar com o filho, descansar… e está pouco se importando com a opinião alheia.
Isso de certa forma também me surpreendeu porque a NOVA é uma revista voltada para mulheres entre os 25 e 35 anos no máximo e sempre traz centenas de matérias e notas sobre perda de peso e estética. Então ter a capa dizendo que engordou 24 quilos, não perdeu tudo e sequer tinha tempo de passar creme nas pernas é bem diferente do que eles estão acostumados a publicar.
Mesmo sem nunca ter me identificado com o padrão e público da revista, me enchi de esperanças que talvez pudesse ter encontrado uma publicação que fosse a minha cara. Porém logo após a entrevista (simples, somente duas páginas e logo no início do sumário) com Ivete Sangalo, parece que tudo desmoronou.
Ok, é legal ler sobre novos equipamentos e tratamentos de beleza, moda e sexo, mas só isso? Comecei a ler a revista e percebi que as mulheres de NOVA infelizmente são carentes. Sim! Todas seguem o mesmo padrão: mulheres jovens, independentes, que têm carro novo mas não sabem nada sobre ele, de cabelos lisos com baby liss e olhão esfumado.
Nas matérias de sexo (maiores e com mais espaço que a entrevista de capa) notei que a leitora é tão carente que ela somente se preocupa se o seu parceiro sexual irá notar a nova estria na coxa ou que a obrigação da mulher é satisfazer seu homem sexualmente, mesmo que para isso seja necessário ela se tornar uma contorcionista.
Fiquei desapontada em ver que as perguntas feitas pelas leitoras são bem parecidas com as das adolescentes fãs da Capricho. Será que todas as mulheres são realmente tão vazias? Elas não se preocupam com seu futuro, com o mundo que querem deixar e com nenhuma causa mais relevante?
Vim para casa pensando nisso e tive a impressão que a leitora Capricho, ao chegar aos 18 anos e achar infantil falar do “gatinho”, pula para a NOVA e vira a expert sexual (afinal ela divide seu tempo entre beleza e sexo) para agradar “o gato”. Mas e depois? O que fazer com o vazio?
Enquanto isso a que lê a Gloss, por exemplo, tem idade universitária, trabalha, se diverte e planeja seu futuro. E ao chegar aos 25 anos se tornam leitoras precoces da Claudia. Essa sim se cuida, acompanha os filhos, mas quer um mundo melhor, tem atitude, quer saber o que será feito.
Então percebi que eu sou uma delas. Não porque sou esnobe e arrogante, mas porque eu sou mais que a embalagem, vou além da jovem bonita e que se cuida. Eu “penso”, entendem? Confesso que fiquei bem desapontada em ver a mulher de NOVA focada somente em si porque não é o que vemos aí fora.
Mas queria saber se eu sou a única que pensa assim. Qual é seu ponto de vista? Você se identifica com alguma revista? Concorda com minhas palavras?