Update – Conversa da semana

17 jun

Oi, gente! Tudo bem?

Quando criei o Boyish ‘n Girly, há quase 3 anos, resolvi não me focar somente em maquiagem, por exemplo, porque chegaria um dia em que eu iria querer falar de outras coisas. Até porque acho que somos mais que cosméticos.

Pois bem, hoje resolvi que, ao invés de dar dicas de livros, era a hora de conversarmos um pouquinho sobre as manifestações contra o aumento das tarifas dos transportes públicos no país, especialmente em SP.

Fiquei na dúvida se faria este post, afinal, não sou especialista e sim uma cabecinha pensante que – graças a Deus e aos meus pais – tem consciência política. Antes de dar a minha opinião, queria aqui explicar alguns fatores que contribuíram para os protestos.

– O cenário: muita gente acha que as manifestações acontecem por causa dos R$ 0,20 de acrescidos nas passagens. Não é somente por isso. Claro que pagar R$ 3,20 está bem acima do que poderíamos porque, se pensarmos em uma pessoa que pega dois ônibus ao dia (ida e volta), antes gastava R$ 1.440,00 ao ano agora terá de desembolsar R$ 1.536,00. Esses R$ 96,00 de diferença fazem falta sim. Imagina quem usa mais vezes?

As passeatas são o resultado de uma série de insatisfações que temos as pessoas tem vivido, seja com o transporte local ou com a educação, saúde, segurança e a administração em geral. Estamos descontentes com a falta de respeito das autoridades que, direta ou indiretamente, elegemos.

Acredito que ninguém reclamaria de pagar os R$ 3,20 SE este valor retornasse em um serviço seguro e de qualidade, no qual não andaríamos empurrados e apertados, com motoristas bem preparados, ônibus em condições mínimas de segurança e higiene, com linhas que atendessem a todos os bairros da cidade… E que não é o que temos hoje. Chega uma hora que você se cansa de dar e não receber entendem?

– Movimento Passe Livre: ao contrário do que muitos pensam, o Movimento Passe Livre (MPL) não é algo inédito ou formado por baderneiros. Ele foi fundado em 2005 e tem como objetivo levar a discussão sobre a questão do transporte no país. Ou como eles informam no site deles:

“(…) é um movimento social brasileiro que luta por um transporte público de verdade, fora da iniciativa privada. Uma das principais bandeiras do movimento é a migração do sistema de transporte privado para um sistema público, garantindo o acesso universal através do passe livre para todas as camadas da população.”

Fonte: http://mpl.org.br/node/2

Quando foi anunciado o aumento da tarifa, o MPL se manifestou, solicitando que as pessoas se unissem e se manifestassem de forma pacífica. Porém, da mesma forma que muitos participam do movimento responsavelmente, há um bando de irresponsáveis (desculpa, mas não vejo de outra forma) que acreditam serem ouvidos somente com violência e destruição.

Se o MPL é responsável por isso… Não sei. Acho mais que estes seres arruaceiros estejam mais interessados em aparecer e resolver tudo na base “do tapa”. Até porque nós não sabemos quanto deles, de fato, usam o transporte público ou ao menos se identificam com a causa.

– A polícia: todo brasileiro sabe que o nosso sistema de segurança é falho, está envolto em corrupção e em jogos de interesse. E que os policiais não são treinados como deveriam. Maus profissionais existem em todas as profissões, mas a polícia está tão desacreditada que ninguém mais espera boas coisas. Justifica a violência? Claro que não.

– A imprensa: vocês sabem que sou jornalista e apaixonada pela minha profissão, o que não significa que eu concorde com o sensacionalismo de alguns companheiros. Então quando dizem que a culpa é da imprensa, me magoa um pouco porque sei que alguns veículos lucram e muito nessa história e para eles é conveniente que seja criada a imagem de que os manifestantes são vândalos e a polícia bruta. Porém muitos ali estavam trabalhando dignamente, escalados por seus chefes e obedecendo ordens. Por isso me revolta ver que trabalhadores saíram machucados, com possibilidade de perderem a visão enquanto exerciam suas funções.

O que nós, enquanto pessoas com senso crítico devemos fazer é não se prender a um veículo. Leia, ouça, compare, discuta… Aí forme sua opinião. Mas jamais generalize porque um profissional não representa uma classe.

– O que EU acho: é fácil julgarmos quando estamos do outro lado da história e no conforto de nossas casas. Eu já participei de protestos e nem por isso bati ou apanhei. Assim como todos, sou completamente contra qualquer tipo de violência, vandalismo e irresponsabilidade. Duas coisas me entristecem neste caso:

1) O fato de inocentes sofrerem as consequências (como os jornalistas ou o idoso que foi atacado por uma bomba disparada por um policial, enquanto estava DENTRO de seu carro);

2) Que a manifestação seja representada e lembrada somente pelas ações violentas vindas DOS DOIS LADOS e não pelo seu propósito;

Gostaria de ter participado das passeatas, de forma pacífica, mas infelizmente soube delas quando as mesmas já aconteciam. E hoje, sinceramente, também tenho medo porque ficou algo generalizado e eu posso sofrer as consequências da irresponsabilidade de alguns.

Ainda assim, podemos fazer nossa parte. Há um movimento que pede, por exemplo, para colocarmos lençóis nas janelas. Mais ainda, acho que temos que ser patriotas e atentos às posições de nossas autoridades não somente nestes momentos ou na época de eleição.

Se você elegeu quem está no governo, tem direito de o que foi prometido. Caso votou contra, cobre também, a cidade é sua e amanhã o seu eleito pode estar no comando.

Espero mesmo que os protestos sejam apenas o começo de uma mudança de postura da nossa população, que deixará de fazer o papel de observador pacífico para realmente exercer seu papel.

E se ajudar, fiquemos com alguns links para nos ajudar a pensar mais e melhor:

Super Interessante – A Gota que Faltava

Movimento Passe Livre

Pragmatismo Político – O depoimento de Giuliana Vallone – Jornalista atingida no olho pela PM

Uol – Análise – Insatisfação que gerou protestos no Rio e SP vai além do preço da tarifa

Folha de S. Paulo – Sozinho, PM quase foi linchado durante protesto na região da Sé

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: