Denúncia – Sistema de escravidão em grifes de luxo. O que você pensa sobre isso?

1 ago

Oi, gente! Tudo bem?

Hoje o assunto é sério e queria ouvir a opinião de vocês. Neste final de semana a Folha divulgou uma matéria com uma denúncia de uma empresa de moda que mantinha seus costureiros em trabalho escravo.

No começo você pode pensar que era besteira, “intriga da oposição” ou algo do tipo, mas em seguida o portal Uol divulgou um texto de um blogueiro associado que descreve o cenário de forma bem real.

Casos de escravidão por grifes de luxo ou até mesmo as fast fashion têm se tornado cada vez mais comum. De 2010 para cá tivemos notícias de marcas como a Zara, Marisa, Cori, Emme, Luigi Bertolli e agora a Le Lis Blanc e Bobô são só alguns deles. Até a C&A já foi parar nessas, então podemos ver que não se aplica somente às grifes de luxo.

Talvez até já soubéssemos ou desconfiássemos, só preferíamos manter longe das nossas vistas. Mas os órgãos responsáveis têm fechado o cerco, o que eu acho ótimo e essas denúncias passaram a ser recorrentes.

Para quem não sabe, todos os casos noticiados possuem alguns pontos em comum: trabalhadores estrangeiros – geralmente bolivianos – que atuam no Brasil em péssimas condições de trabalho e higiene, recebendo menos de um salário mínimo para uma jornada superior a 12 horas de trabalho diário, além de terem “dívidas” anotadas em cadernos de contabilidade e documentos apreendidos, fazendo com que sejam obrigados a permanecer aqui.

Em alguns casos até a mão de obra infantil foi utilizada. Isso tudo se enquadra em trabalho escravo. Sim, aquele mesmo que estudamos na escola, que achamos que acabou lá em 1888 e que ainda persiste, seja em confecções ou até mesmo no trabalho rural.

Isso tudo para produzir roupas que são vendidas a nós, público final, por 10 ou até mais vezes que seu custo de fabricação. Peças estas que acreditamos terem sido feitas com cuidado, dedicação, carinho, visando um bem estar e exclusividade que pagamos para ter.

Nunca fui consumidora da Le Lis Blanc ou da Bobô, por exemplo, mas tenho duas peças da Zara e duas da Emme, que ganhei após as denúncias. Não me desfiz delas pelo valor sentimental que me liga à pessoa que me deu, mas ao vesti-las, me sinto meio culpada de colaborar com a escravidão, então evito ao máximo usá-las.

Mas o que nós, enquanto consumidores, podemos fazer? Bom, temos duas escolhas: ou você fecha seus olhos para estes casos e continua a comprar nestas grifes (vale lembrar que uma das novas “denunciadas” também sofreu reclamações quando achou legal voltar a usar peles de animais em suas coleções. Nem vou entrar no mérito de como essas peças são feitas, isso é tema para outro post e vídeos bem tensos encontrados no Youtube facilmente), afinal se você se identifica com elas e quer usar o seu dinheiro com isso, é seu direito e quem sou eu para falar algo, né?

Ou você pode tomar uma atitude radical, mas que dá certo: boicote. Isso mesmo, não entre mais nestas lojas, nem compre peças delas. Avise seus amigos, parentes e conhecidos. Com o prejuízo financeiro e peças encalhadas, duvido que as marcas não passem a pensar mais no que fazem.

Eu mesma já venho fazendo isso desde a denúncia da Zara e Cori, Emme e Luigi Bertolli. Deixei de passar na frente das lojas, não piso mais lá dentro, cancelei newsletters e nem recomendo as marcas. Se um dia voltar lá, que eles tenham mudado suas concepções sobre ética, honestidade e trabalho.

Agora queria saber de vocês o seguinte: quem acompanha notícias como estas? As denúncias mudam sua visão das lojas? A que ponto? Você já boicotou alguma? Como foi? Vamos conversar mais sobre isso?

E para quem não sabia da denúncia, fiz um apanhado com todas elas, além de mostrar como algumas grifes reagiram aos casos:

Folha de S. Paulo – Marca de luxo é ligada a trabalho degradante;

Blog do Sakamoto (Uol) –  Roupas da Le Lis Blanc são fabricadas com escravidão;

Julia Petit – A escravidão da moda;

IG – Fiscais encontram trabalho escravo em fornecedor de Cori, Luigi Bertolli e Emme;

O Estado de S. Paulo – Dona da Cori é acusada de usar trabalho escravo;

G1 – Operários estrangeiros são resgatados de trabalho escravo em SP;

Exame – Dona da Marca Cori disse desconhecer trabalho escravo;

O Globo – Rede de lojas Marisa fica fora do pacto contra escravidão;

Exame – O que a Zara e 5 grifes fazem mesmo com o trabalho escravo.

Atualização: hoje, dia 21/08, a mesma Folha de S. Paulo noticiou que a Restoque, responsável pelas grifes Le Lis Bland e Bo.Bô fez um acordo para combater o trabalho escravo. Dá para ler o texto AQUI.

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2 Respostas to “Denúncia – Sistema de escravidão em grifes de luxo. O que você pensa sobre isso?”

    • Carla Jaróla 14/08/2013 às 13:55 #

      Excelente post, Camila!

      Sou totalmente a favor do boicote, especialmente para não alimentarmos a prática do trabalho escravo. Sem contar que é ótimo e essencial sabermos de onde vem o que vestimos.

      Muito obrigada pelo link!

      Beijos!

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